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O testemunho prometido

todas_04_02_2008-256Este testemunho foi escrito para o boletim da minha paróquia, Santo António dos Cavaleiros. Dou-vos a conhecer uns excertos desse testemunho (que já assim é um pouco longo!)

«Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: “Que pretendeis?” Eles disseram-lhe: “Rabi – que quer dizer Mestre – onde moras?” Ele respondeu-lhes: “Vinde e vereis.” Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. (Jo 1, 38-39)

Esta passagem do Evangelho de São João sempre me chamou atenção. Por um lado pela pergunta dos discípulos que sentem a vontade de seguir Cristo, de o conhecer e de conhecer a Boa-Nova. Por outro lado, é fascinante a resposta de Cristo: “vinde e vereis”. Haverá convite como este? Um convite simples mas muito “personalizado”, feito a cada um de nós.

Será possível ficar indiferente a um convite como este? Os discípulos seguiram-No, e nós o que fazemos?

A mensagem que vos escrevo é uma partilha sobre a forma de responder a este convite de Jesus.

Quando era miúdo sempre me interessaram as profissões relacionadas com a Saúde e o serviço aos outros. No crescimento, normal de um adolescente, fui-me questionando sobre “o que queria ser” e quando entrei no 10º tinha a “certeza” de que queria ser médico. Contudo, já nesse ano senti um chamamento diferente, mas não sabia o que era. Continuei os meus estudos mas, face ao conhecimento de pessoas ligadas à Saúde, comecei a pensar em ser enfermeiro. E o chamamento continuava lá!

Numa busca de saber quem era, tentei discernir qual a minha vocação. No início senti uma ligação forte ao carisma da missão, da evangelização e do serviço a outros povos. Foi com esta ideia que fui crescendo e participando em diversos encontros com outros jovens que se encontravam com as mesmas dúvidas. Num desses encontros foi-me proposto que pensasse quais os aspectos positivos e os menos positivos de cada uma das opções que se apresentavam à minha frente. Pensei no casamento, no sacerdócio, na missão, na vida religiosa; foi um exercício muito importante e que se revelou muito útil nesta e noutras situações.

Quando somos novos queremos mudar o mundo, quebrar todas as barreiras, muitas vezes sem pensar nos passos que estamos a dar! Perante esta situação tive a sorte de ter uns pais que me chamassem à Terra, mesmo que na altura eu não o percebesse.

Ao tomarmos decisões sobre a nossa vida importa fazê-lo com uma paz de espírito e também com o conhecimento amadurecido de nós mesmos. Desta forma, entrei no curso de Enfermagem e optei por ir discernindo o meu futuro, com mais calma e com os pés mais assentes na terra. O meu objectivo era terminar o curso de Enfermagem e depois trataria de responder ao chamamento que continuava presente.

Durante o curso de enfermagem as solicitações foram tantas que este chamamento pareceu diminuir o volume. Passei por outras experiências típicas de qualquer “jovem universitário”, festas, convívios, muito estudo e um namoro. Quer isto dizer que não fui diferente de qualquer outro jovem, mas o chamamento continuava, só que desta vez subiu de volume! Comecei, então, a pensar mais seriamente na minha vocação. Neste período contei com o apoio do Pe. Ricardo, do Pe. Agostinho, do Pe. Pedro e do Fr. Fernando. Foram, todos eles muito importantes nesta fase da minha vida, cada um à sua maneira. E foi com o seu apoio que me fui aproximando da família carmelita, que fui conhecendo melhor.

No início do terceiro ano do curso foi-me proposto que fizesse uma experiência diferente, que fosse para a comunidade de Santa Isabel onde passaria a estar em maior contacto com uma comunidade de frades carmelitas. Aceitei o desafio e parti, não para muito longe rumo a Lisboa. Esta experiência que durou dois anos onde partilhei momentos de oração, convívio, serviço e de fraternidade. Quando nos afastamos do nosso quotidiano e das nossas “coisas”, cria-se um espaço para a reflexão, é como se analisássemos a nossa existência vista de fora, com os olhos de outrem.

Foi no fim desta experiência que fiz um pedido aos responsáveis da Ordem para dar mais um passo na minha descoberta. Assim, com mais serenidade e consciência estava pronto para uma nova etapa.

Gostava, agora, de dedicar uma palavra especial a todas as pessoas que me apoiaram, que estiveram presentes quando precisei e também àqueles que nas “pequenas grandes coisas” mostraram a sua amizade. Não poderia deixar de referir a grande importância da família neste processo. Nos dias de hoje tomar uma decisão, qualquer que seja, é difícil e ainda mais quando se fala na vida religiosa ou no sacerdócio. Para muitos parece que não faz sentido! Aí entra a família, a unidade da sociedade, como grande apoio e escola de valores. É à minha família que quero agradecer por todos o apoio especialmente nos momentos mais difíceis. Este caminho não é fácil mas a dificuldade ultrapassa-se com o amor, e isto acontece nas mais variadas ocasiões da nossa vida.

Em Setembro terminei o curso de Enfermagem e agora estou na Comunidade Carmelita do Sameiro e estudo Teologia, na Universidade Católica de Braga. Pretendo, a par dos estudos, exercer a profissão à qual dediquei quatro anos de estudo e à qual me sinto muito ligado. É com esta perspectiva de crescimento global, cristão e humano que estou empenhado nesta fase da minha caminhada. O ponto de chegada desta caminhada ainda não está definido, mas é nesta comunidade e com os irmãos carmelitas que farei esse discernimento.

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