Estou a meio da maratona porque já fiz três exames e faltam-me outros tantos! Esta é, para a minha capacidade mental de hoje, uma reflexão profundíssima. Estou cheio de imperadores, papas, bispos, concílios, reis e rainhas!
É comum, em mim, neste tipo de maratonas abstrair-me do mundo. Como diz a minha irmã, pareço um rato de biblioteca, ou como diz o P. sou um urso que hiberna.
É a minha forma de concentração. Uns dias com música, outros sem, é conforme a disposição.
Mas durante este tempo, pensei na questão tempo livre vs. trabalho/estudo e no modo como isto orienta a nossa vida! Quais são, no fundo, as nossas prioridades? E quando vivemos em conjunto como gerimos as prioridades?
Poder-se-ia dizer que cada um tem as suas prioridades e ninguém tem nada a ver com isso. Será isto verdade? Como é que um casal entende as prioridades do outro? Como é que numa comunidade se entendem as prioridades dos outros? Não remamos todos para o mesmo lado?
Talvez não mas acho que o essencial nem é remar para o mesmo lado (senão o barco andava às voltas). Acho que o essencial é o diálogo. Será que falo? Será que falamos uns com os outros?
Sentado, o Andrade esperava. Na sua mente ecoava “The best of times” e tentava lembrar-se com nitidez de quais tinham sido os seus melhores tempos. Era difícil recuar porque no meio de algumas coisas alegres encontrava algo que não entrava nesta música.
Esta era a música que alguém lhe havia dedicado em tempos e esse era uma das coisas que recordava com um carinho raro, escondido, indizível.
Esperava, naquele canto mais escondido de si, que esse momento se repetisse. A espera olhava para o passado e para o futuro. Ingrata, a espera, que tanto faz pensar. É como o violino da música que transporta a mente para outros tempos, outras vidas, outras esperas.
Na espera, Andrade encontrou o que procurava e era algo que estava tão perto. Da espera vem a esperança e no fim, toda a nossa vida.
Sentado, o Andrade esperava e ouviu a guitarra. De repente, levantou-se e sorrindo, continuou o seu caminho.
EM primeiro lugar, caros amigos, leitores e afins, Feliz ano de 2010!
EM segundo lugar vem uma reflexão “à Casaleiro”! (E atreva-se uma certa e determinada pessoa a dizer que eu ando a falar muito ‘teologuês’!)
Tudo na nossa vida se orienta por setas. Já pensaram na quantidade de setas que encontramos ao longo do dia? Imaginem lá que eu vou escrever aquelas de que me lembro:
Caminho de Santiago; botões do telemóvel; botões do comando; semáforos; estradas; loja do cidadão; sinais de pista; repartição de finanças; hospitais; saídas de emergência; setas, setas e mais setas.
Ao fim de contas tudo nos parece certo e escolhido. De certa forma conforta-nos saber que o caminho seguro está apontado. Contudo, será esse o caminho que queremos?
No início do primeiro ano de uma década pensemos o que queremos seguir…
A partir de agora tenho competição. A minha irmã já pode ir no assento da frente do carro!!! Faz hoje 12 anos e antevejo que no próximo fim-de-semana vou ter problemas
Estou a brincar, como é óbvio! Fica aqui um grande beijo para a mana mais linda do mundo (sai ao irmão!!!)
Imaginem um jovem, com bata branca, gorro de pai natal, a tocar o “A todos um bom Natal”… Meus amigos! Isto aconteceu na sexta-feira passada e foi a animação total na APPACDM em Lomar!
Eu não gosto de músicas de Natal e espírito anti-pseudo-natalício aqui vão duas sugestões musicais do nosso amigo P.
Azeitonas – “Queixa ao Pai Natal”
Fonzie – “Vozes de Natal”
Ainda não consegui parar de rir com a música dos Azeitona! A dos Fonzie faz-nos pensar neste espírito estranho que surge à volta do Natal!
Curioso, curioso foi ter falado sobre a beleza numa aula de Tutoria na semana passada. De forma interessante, o professor mostrou-nos exemplos de arte, em várias dimensões (arquitectura, pintura, escultura, música, poesia).
Conhecem Adélia Prado? Eu não conhecia, tinha lido um texto dela no ano passado mas este ano ouvi as palavras saírem da sua pessoa! Convido-vos a escutar este vídeo. Vão querer repetir e repetir para poder captar aquilo que Adélia nos quer dizer:
Ela fala do Panis Angelicus; escutemos a música interpretada por Andrea Bocelli:
O papa Bento XVI promoveu um encontro internacional com artistas. Como estas coisas não são polémicas e não provocam a divisão não interessam aos media. Neste encontro foi lançado um apelo: “Recordai-vos que sois os guardiães da beleza no mundo!” Por outro lado, Bento XVI afirma: “A fé nada tira ao vosso génio, à vossa arte, antes exalta-o, nutre-o, encoraja-o”
Mas que tem a arte a ver com a vida, nos dias de hoje. De forma simples mas profunda este homem diz: “em todas as suas expressões, a arte, no momento em que se confronta com as grandes interrogações da existência, com os temas fundamentais de que deriva o sentimento do viver, pode assumir uma valência religiosa e transformar-se num percurso de profunda reflexão interior e de espiritualidade”
A arte tem, para mim, este fim: interrogar-me sobre quem sou, de onde vim e para onde vou!
No fundo todos somos pessoas diferentes. Temos em nós algo que nos distingue dos outros, que nos torna especiais. Assim, ser diferente é algo bom, saudável e desafiante.
Quando estamos perante uma pessoa com deficiência mental dizemos que é uma pessoa diferente. “Diferente” é o antónimo de “igual”. Ora se chamamos à pessoa com deficiência mental diferente é porque nós somos todos iguais! E isso não é bom, saudável nem desafiante.
Fazemos parte da sociedade que se quer igual em tudo. Somos cópias uns dos outros e, pouco a pouco, vamos perdendo a alegria do mistério que é conhecer o Outro! Conhecemos o outro pelo que ele nos diz. Triste daquele que não conhece a sensação de fazer crescer uma amizade. A amizade é algo delicado, frágil e especial, que só existe quando duas pessoas diferentes se conhecem.
DIFERENTES!
Trabalhando numa instituição de pessoas diferentes (e já vimos que isto é bom, saudável e desafiante) tenho pensado muito sobre o tema da deficiência mental e a forma como a “história” tem tratado estas pessoas! E no fundo, vejo, tristemente, que actualmente trata com indiferença.
INDIFERENÇA!
Simplesmente esquecemo-nos deles, afastamo-los do nosso alcance visual (e, assim, da nossa vida) e vivemos estupidamente alegres (?) por não ver pessoas diferentes. No fim de contas, mantemos a ideia que somos imortais, perfeitos e IGUAIS!
A minha manhã começa com uma viagem no autocarro 23 que sai às 07:55 do Sameiro e chega às 08:20 à Rua do Raio.
Este seria um facto perfeitamente irrelevante se neste mesmo autocarro não entrasse, na paragem da Alberto Sampaio, uma mãe com a sua filha. Esta menina ilumina aquele autocarro.
Normalmente a malta vai com aquele “ar de autocarro” agarrado ao MP3, Ipod e afins. Aquela miúda faz com que a malta largue esses apêndices e por um pouco se delicie com ela a palrar e a rir.
Numa certa atmosfera todo o autocarro (as pessoas que lá vão, entenda-se) se desata a rir!!!
Esta miúda diz adeus a toda a gente e eu tenho o privilégio de me sentar quase sempre à sua frente! É assim que combato o meu mau humor matinal!